Biology of Anopheles darlingi
Distribuição geográfica. É encontrado em áreas de baixas altitudes, quase
sempre associado aos grandes cursos d'água e florestas do interior, mas ocorre
também no litoral. Está amplamente distribuído no território sul-americano a
leste dos Andes, na Colômbia, Venezuela, Bolívia, Peru, Paraguai, Argentina,
Brasil e nas Guianas. A oeste dos Andes só foi encontrado em Chaco, Colômbia.
Sua distribuição é descontínua ao norte da Venezuela, pois esse mosquito tem
sido encontrado em áreas centro-americanas entre o sul do México, Belize, Honduras
e Guatemala. No Brasil, só não é encontrado nas áreas secas do Nordeste, no extremo
Sul (abaixo da foz do rio Iguaçu) e nas áreas de elevada altitude.
Biologia. Utiliza as grandes coleções líquidas para o desenvolvimento de
suas formas imaturas, tais como: lagoas, açudes, represas e bolsões formados
nas curvas dos rios onde há muito pouca correnteza. Seus criadouros são, por
excelência, de águas profundas, limpas, pouco turvas e ensolaradas ou parcialmente
sombreadas, onde suas larvas e pupas habitam as margens, escondidas
entre a vegetação emergente ou flutuante e os detritos vegetais caídos na superfície
líquida. Estes criadouros são utilizados, indiscriminadamente, durante todo
o ano e, por serem permanentes, funcionam como focos de resistência durante a
estação mais seca. Contudo, durante a estação chuvosa, An. darlingi pode empregar
uma grande variedade de coleções líquidas de tamanho e profundidade
menores, tais como: valas, poças e impressões de patas de animais.
Em seu território no Brasil é encontrado picando durante todo o ano, rareando
um pouco no final da estação seca e abundando no final da chuvosa,
mais propriamente na transição entre as épocas de maiores e menores pluviosi¬
dades (Charlwood & Hayes, 1978; Charlwood, 1980; Klein & Lima, 1990). Aparentemente,
as chuvas torrenciais, frequentes durante a estação chuvosa, produzem
elevada mortalidade dentre as larvas e pupas de An. darlingi, pois as enxurradas
podem arrastá-las das margens dos criadouros, afogando-as e interrompendo
o seu desenvolvimento.
O ciclo de oviposição de An. darlingi, isto é, o tempo entre cada alimentação
sanguínea, parece ser de três dias, incluindo um dia durante o qual as fêmeas
paridas descansam antes de retornarem a sugar sangue após a postura
(Charlwood, 1980).
Relação com a malária. An. darlingi é, sem dúvida, o principal vetor de
malária no Brasil. É vetor primário, altamente susceptível aos plasmódios humanos
e capaz de transmitir malária dentro e fora das casas, mesmo quando sua
densidade está baixa.
Na Amazônia, onde a malária humana parece estar praticamente confinada
no Brasil, An. darlingi é o anofelino que melhor e mais rapidamente se beneficia
das alterações que o homem produz no ambiente silvestre. Assim, a colonização
desta região do país, implicando na substituição da floresta por modestas
plantações, pastagens ou garimpos, geralmente afasta os anofelinos de hábitos
mais silvestres e propicia ambiente muito favorável ao darlingi, provocando grande
aumento de sua densidade e, subsequentemente, da incidência do paludismo.
Hoje, acredita-se que o grosso da malária humana na nossa Amazônia é
transmitido pelo An. darlingi, no peridomicílio e no início da noite. Entretanto,
não se despreza a importância da endofagia exibida por esse anofelino, que consiste
na única espécie com densidade e frequência suficientes para veicular a
moléstia no interior do domicílio.
Tem sido o anofelino brasileiro mais frequentemente encontrado naturalmente
infectado com esporozoítos de plasmódio e sua distribuição geralmente
coincide com as áreas mais atingidas pelo paludismo. Infecções naturais em An.
darlingi têm sido reportadas, desde a década de 1930, em numerosas localidades
brasileiras, em algumas das quais é o único transmissor importante. An. darlingi
é o único anofelino brasileiro no qual foram detectadas infecções naturais pelos
três plasmódios que causam malária humana nas Américas — P. vivax, P.falá¬
parum e P. malariae — sendo o mais suscetível, experimentalmente, a esses parasites
(Rachou, 1958; Deane, 1986; 1989; Arruda et al, 1989; Klein et al., 1991a, b).
- Consoli RAGB, Lourenço-de-Oliveira R. (1994). "Principais mosquitos de importância sanitária no Brasil". Editora Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Brasil. Disponível em: http://www.fiocruz.br/editora/media/05-PMISB03.pdf
